terça-feira, 26 de maio de 2015

CORRIDA DE TOIROS MOITA DO RIBATEJO

Decorreu no passado Domingo na Moita do Ribatejo a tradicional corrida de toiros da feira de Maio este ano dedicada à comemoração do 40º aniversário do grupo de forcados do Aposento da Moita.
Da prestação do grupo o realce vai para o "jovem forcado" Luis Peças que apesar dos "58" continua um "miúdo atrevido". É por essas e outras que eu sou saudosista.
Sem querer opinar sobre o assunto eles terão certamente as suas razões, foi com enorme tristeza que anotei a ausência de ex-forcados, verdadeiras glórias do Aposento entre os quais e sem desprimor para os outros, Boby (Romão da Silva), Netino Wen, Carlos Dias mas sobretudo Tiago Ribeiro e João Simões que a par do cabo fundador foram expoentes máximos na liderança do grupo.

O ZÉ MANEL MERECIA MAIS
FOTO: EMÍLIO DE JESUS

Quando hà 40 anos o Zé Manel (Pires da Costa) teve a coragem de dizer não ao poder politico que nos subjugava, e abandonou (formando o Aposento) o grupo onde exercia a nobre arte de pegar toiros, motivado pelo facto (indesmentível) do dito grupo se haver transformado temporariamente numa "filiar" de um partido politico, o Zé Manel prestou um impagável contributo à festa brava e a todos os que elegemos a tauromaquia como dama de companhia.
Mas, caro amigo Zé Manel os aficionados devem-te muito mais. Numa fase em que os "heróis" meteram o rabo entre pernas e acagaçados esconderam-se ou assobiaram para o lado, tu lideraste um grupo ao qual me orgulho ter pertencido que enfrentou o poder opressor e rumou a uma ganadaria afim de apoiar o proprietário a rever o que restava dos seus pertences.
Jamais esquecerei aquele cenário de guerra, as espingardas de ambos os lados eram às centenas estávamos em plena era Gonçalvista, fase essa em que os não aderentes eram "eliminados" mas tu querido amigo ao contrário de outros "saltitantes" que por aí botam faladura  sempre estiveste no teu posto dando a cara, nunca vendeste a alma ao diabo.
Estava presente, assisti (não ouvi contar) quando em 1979 durante a campanha eleitoral estavas tu sentado na esplanada do fragata, na tua terra natal, quando um líder politico local apoiado cobardemente em várias centenas de compinchas te tentou linchar, havia mesmo uma forca preparada, tragédia essa que só o corpo de intervenção (policia de choque) conseguiu evitar e tu Zé Manel apesar do perigo eminente em momento algum vacilaste, estavas disposto a morrer (sim a morrer) pela tua dama.
Zé Manel por tudo o que desinteressadamente deste ao Aposento, à festa brava e ao país merecias a praça cheia, e sobretudo um Aposento representado ao mais alto nível, mas enfim nós somos um povo de memória curta.

Um abraço querido amigo


José Luis Figueiredo

 
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