terça-feira, 5 de abril de 2016

Síntese do 3º dia do I Fórum Nacional da Cultura Taurina

 
O terceiro dia do I Fórum Nacional da Cultura Taurina foi uma jornada intensa e que se traduziu numa ampla e profunda discussão sobre o presente e a evolução da tauromaquia.

O dia começou com a apresentação de uma técnica recente, a *Termografia*, apresentada pela veterinária Carolina Ferraz. Esta é uma técnica de deteção de infravermelhos, sinalizando a captação de temperatura, permitindo assim aprofundar a investigação e conhecimento sobre o toiro de lide e a sua fisiologia. Por exemplo, com esta técnica pode-se confirmar cientificamente que o corte da ponta dos pitons dos toiros é absolutamente indolor e inofensiva para o animal.

A primeira mesa redonda do dia foi dedicada ao *Toiro do Futuro* e reuniu 3 ganaderos de créditos firmados: António da Veiga Teixeira, João Ribeiro Telles e Raul Brito Paes, sendo moderada pelo critico Miguel Ortega Cláudio.

*António V. Teixeira *defendeu um toiro de casta que pede contas aos toureiros, mas concordou que o toiro do século XXI tem de ser uma mistura entre o toiro de casta e do toiro feito a pensar no toureiro. “O toiro do futuro não pode ser o toiro colaborador, pois a sensação de risco tem de estar sempre presente na arena.” Quanto ao papel do ganadeiro afirmou que o “ganadeiro anda a reboque do que as figuras querem, e o toiro e toureiro têm de andar a reboque do público.”

*João Ribeiro Telles* realçou a tensão que hoje se nota nas praças entre o toiro de casta e a reação do público que procura um espectáculo equestre que não se esgota no toiro e que o toiro de casta não permite. A essência do ganadeiro pode estar na busca da casta, mas o toiro cooperante com a casta necessária é um bom toiro. Rematou afirmando que “o publico é que exige uma certa evolução que os ganaderos também têm de interpretar.”

*Raul Brito Paes* deu conta das suas inovações nos métodos de selecção, realizando tentas em busca do toiro ideal para a lide a cavalo, indo para lá da tenta clássica feita para o toureio a pé. Questionando se “a selecção para o toureio a cavalo em Portugal não tem de ser adaptada?”

Concordando com a ideia de que os toiros são hoje mais bravos que nunca, discordou de que o toureio a cavalo não precise de um toiro que humilhe. Se por vezes a percepção do risco é menor, por parte do público, isso deve-se ao facto de os toureiros serem hoje tecnicamente mais perfeitos pelo que a
técnica reduz a percepção do risco, mas ele está lá na mesma.


A primeira mesa redonda da tarde foi dedicada a pensar a *Qual o Próximo passo na Evolução da Pega. *Numa discussão moderada por José Cáceres, interviram os antigos forcados José Pires da Costa, Peu Torres, Diogo Sepúlveda, cabo dos amadores de Santarém, e Vasco Pinto, cabo dos amadores
de Alcochete.

Para *Pires da Costa* a história da pega é uma evolução continua. A pega vai continuar a ganhar estética e perfeição, sempre ligada à evolução do toiro. O forcado tem cada vez mais de fazer do seu corpo uma muleta. A dimensão plástica e estética, a arte, será o futuro da pega.

Para *Peu Torres* a pega ainda tem muito para evoluir. O público pode pedir outras situações, outra imprevisibilidade, isso vai ser sempre determinante na evolução futura. Defende que não podemos ser restritivos, temos de estar aberto às mudanças que o grande público possa pedir em relação à corrida e
ao forcado. A pega é tão intensa que nunca poderá ser monótona. Rematou afirmando que “não me incomodava ver o forcado colocar o toiro a corpo limpo e depois executar a pega como a conhecemos.”

Para *Diogo Sepúlveda* “o que é fundamental é dar sentimento à pega. A pega de caras tem de ser menos força e mais sentimento, mais arte, respeitando os tempos da pega. Referiu que caminhamos para um toiro mais pesado e isso condiciona a evolução da pega. O espectáculo da pega vem do toiro, da sua
emoção e transmissão. A evolução deve ser feita no aperfeiçoamento não “abandalhando” o que se faz.

*Vasco Pinto* destacou que “há uma mudança do conceito da pega como exercício simples de galhardia para um modelo de prática artística e como manifestação de sentimento ao citar, carregar, templar e reunir.” Estes tempos têm de estar reunidos para que a pega seja um exercício artístico e não somente de força. É por aqui tem de seguir a evolução da pega. Concluiu dizendo que “o forcado é um toureiro. O forcado tem de ser cada vez mais toureiro.”


Para encerrar o dia, a última mesa redonda analisou a forma de *Comunicar a Tauromaquia no século XXI.  *Esta mesa foi moderada pelo crítico Miguel Soares e contou com a participação António Sousa Duarte (Director da ADBD, Agência de Comunicação , Paulo Pinto (Diretor Criativo na Havas), Hélder
Milheiro (freelancer que trabalha em Comunicação Taurina) e Paulo Pessoa de Carvalho (empresário e presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos).

*António Sousa Duarte* destacou que “Não podemos desenquadrar a Tauromaquia do resto do Mundo e do que se passa hoje em dia. Vivemos com a globalização, um Mundo em que cada vez há menos espaço para a diferença”, por isso “O grande desafio estará em combater o preconceito”.

*Paulo Pinto* concordou que “A parte do preconceito é a mais difícil de gerir na parte da promoção da Festa” mas “Falta profissionalismo na forma como se promove e ao montar uma corrida de toiros. Tem que haver estratégia ao montar um espectáculo taurino e na sua promoção”. Hoje existe a ”Necessidade de atrair novas marcas publicitárias e de se inovar”. “Possivelmente repensando o produto e fazendo ajustamentos”.

*Helder Milheiro *assinalou que* “*É importante pensar o produto Tauromaquia, um produto único, uma marca brutal, de grande impacto, pois a Tauromaquia tem uma riqueza muito grande que ainda tem muito mais para explorar”.  Nos dias de hoje perante o preconceito antitaurino que odeia e ataca o que desconhece, é imperiosa a “necessidade de dar a conhecer a Festa dos Toiros na sociedade” de modo a equilibrar a forma com esta é vista e a aumentar o seu mercado de clientes.”

*Paulo Pessoa de Carvalho* identificou erros que se cometeram, como a comunicação feita pelo sector, centrada em si mesmo, e pouco focada na sociedade em geral, pelo que o presente e futuro passam pela maior profissionalização da práticas e estratégias para comunicar o espectáculo taurino, atingindo a sociedade e captando novos públicos.

O Fórum continua nos próximos dias 9 e 16 de Abril, no Campo Pequeno. 
Conheça o programa e inscreva-se em www.gtsector1.blogspot.com
 



 FOTOS: D.R.
 
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