segunda-feira, 13 de junho de 2016

CARTA ABERTA A VASCO PINTO - POR JOSÉ LUIS FIGUEIREDO


Querido amigo, quando a minha chefinha Maria João, tua fã incondicional, me incumbiu de escrever sobre a tua carreira, respondi de imediato que não, não tenho "estudos" para tal.
A grandiosidade, o brilhantismo e os momentos mágicos que nos proporcionaste são algo indescritíveis. Creio no entanto que a Maria João tem problemas auditivos porque perante  o meu não, respondeu quero isso amanhã. A fim de evitar o seu "mau  feitio" decidi obedecer.
Recordei-me então dos tempos em que tu e outros amigos brincavam "aos toiros" e em improvisadas praças, faziam pegas dando largas ao sonho de ser forcado. Da bronca que a tua mãe  deu ao teu tio Chalana ao saber que tinhas pegado uma vaca na Herdade de Paulo Caetano, tinhas então a  "avançada" idade de 7 anos. Da classe e determinação  (aos 9 anos) com que enfrentaste uma vaca  na praça de toiros de Alcochete perante uma lotação esgotada e já aí ajudado pelo João Ângelo  (Rei) também ele um forcadão que ainda hoje te acompanha. 
Acompanhei de perto o teu percurso nos juvenis que há época tinham várias actuações e desde logo percebi que pegar toiros era a "tua praia". 
Recordei-me da tua estreia em Abiul pelo grupo sénior então comandado pelo "Néné" sobretudo a forma como escondes te uma lesão  (fractura no perónio) afim de marcares presença nas Sanjoaninas em Angra do Heroísmo onde lesionado pegaste brilhantemente um toiro no concurso de ganadarias. 
Foste então "apanhado" pois não conseguiste mais dissimular o enorme sofrimento que te atormentava. 
Os sermões foram muitos e diversificados, mas todos ficaram cientes que estavam perante alguém com a capacidade de sofrimento para atingir o seu sonho ser FORCADO.
Por falar em sofrimento veio-me à memória o dia em que faleceu o teu avô Manuel Marques e tu e o teu primo Nuno Santana banhados em lágrimas pediram permissão à família para ir já ali (Saragoça /Espanha) pegar toiros e que já vinham. Em Saragoça brindaste ao teu avô acto que comoveu todos os teus companheiros de grupo que no final da corrida  viajaram de imediato para Portugal afim de estares presente na hora da "partida" do teu amado avô Manel. 
Ao longo da tua carreira foram muitos os momentos mágicos que nos ofereceste entre os quais uma monumental pega a um Campos Peña com 720 Kg em Alcochete, decorria o ano de 2010 e ainda outra a um aterrador Dias Coutinho  na temporada de 2013. Em 2007 assumiste a chefia  do teu grupo, tarefa essa que desempenhaste com distinção, foram muitas as ocasiões em que nos momentos difíceis deste o "passo em frente" e disseste "estou aqui", uma atitude que marca a diferença, que é enorme, entre ser cabo de forcados e alguém  que " fica bem " na fotografia.
Resumindo, ao longo da tua apaixonante carreira de forcado, conseguiste ser de inicio filho de António José Pinto glória da forcadagem nacional, mais tarde consolidaste-a  como Vasco Pinto e hoje é o teu pai que é mencionado pelos mais jovens, como o pai do Vasco Pinto parece um absurdo mas  não é e tu melhor que ninguém sabe do que eu estou a falar. 
Um abraço forcadão.
José Luís Figueiredo 


 
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