quinta-feira, 21 de julho de 2016

CARTA ABERTA AO MESTRE LUIS MIGUEL DA VEIGA - POR JOSÉ LUIS FIGUEIREDO

 
Senhor Luís Miguel da Veiga, no ano em que comemora 50 anos de alternativa tem sido e certamente continuará a ser alvo de justíssimas homenagens. Ao longo de toda a sua carreira o senhor foi um toureiro de excepção, dividiu cartel com os melhores, na sua arte, teve com o saudoso José Mestre Batista uma sã e
pura rivalidade, ainda hoje recordada com carinho pelos mais antigos.
Foi, todos nós sabemos primeiríssima figura do toureiro a cavalo, mas não é sobre essa faceta que me quero pronunciar, tal missão deixo-a para outros mais habilitados.
Quero antes e desde já, peço perdão pela minha ousadia, falar do HOMEM, um SENHOR em toda a dimensão da palavra. 
A nossa festa ė felizmente frequentada por gente de bem e de comportamento senhorial, mas o meu amigo, permita-me que o trate desta forma foi, é e sempre será inigualável.
Tive o privilégio de pegar alguns toiros, toureados pelo senhor, entre os quais o da minha despedida e como tal, tive a honra de o acompanhar em voltas à arena e confesso que em toda a minha carreira de forcado não conheci alguém como o senhor. A sua preocupação constante com os forcados, a forma como caminhava lentamente quando algum tinha dificuldades de locomoção, a pressa com que dividia as flores, a palavra de alento quando alguém aí cabisbaixo, o incentivo que dava aos seus bandarilheiros aquando a colocação dos toiros para a pega. Enfim enumerar aqui, os seus gestos senhoriais seria tarefa infindável e ficaria sempre algo para relembrar. No entanto não quero terminar sem referir algo que me marcou.
- Nunca antes tinha ouvido da sua boca um palavrão, porém quis o destino que na minha despedida enfrenta-se um toiro, brilhantemente toureado pelo senhor e quando teimosamente insistia para que me acompanhasse na volta à arena, olhou-me nos olhos e disse: - (M........) já disse que não, a noite hoje
é tua.
Obrigado amigo por esse gesto e por todos os outros com os quais engrandeceu a nossa amada festa.
Um abraço
José Luís Figueiredo
 
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