terça-feira, 2 de agosto de 2016

NOITE DE LUXO NO CAMPO PEQUENO - CRÓNICA EM JEITO DE DESABAFO

Não tendo que o fazer, mas é como que um bicho que me corrói, se não o fizer, tenho que escrever qualquer coisa sobre a noite da passada quinta feira no campo pequeno.
Num desabafo em jeito de crónica, quero aqui expressar os bons momentos de toureio e de emoções que se viveram numa noite que foi garantidamente histórica.
Umas cortesias de luxo, onde o Mestre Luís Miguel da Veiga, o homenageado da noite, mostrou que quem aprende (bem), não esquece e que precisamente na noite de 28 de Julho de há 50 anos atrás, tomou ali a sua alternativa. Bonita e sentida homenagem a um SENHOR TOUREIRO.
João Salgueiro da Costa, confirmou a sua alternativa, e que bem confirmada... se não foi a melhor das actuações que lhe vi, foi realmente das melhores. Andou a gosto, ferros bem cravados e não caiu no erro na maioria das vezes fatal, do “mais um”. Que continue assim, que vai garantidamente mais longe.
João Moura, o eterno cavaleiro que nos deixa sempre com o coração na boca. Não há idade ou outro "handicap" qualquer que o demova de nos surpreender. Mais uma actuação praticamente brilhante.
Rui Salvador, também não deixou os seus créditos por mãos alheias, e o cavaleiro dos “ferros impossíveis” também se entregou e brilhou.
Quem arrisca, corre sempre riscos redobrados, e estes dois senhores toureiros, não se livram, também eles de percalços pelo caminho. Um toque no Maestro de Monforte e um do Maestro de Tomar, deram ainda mais adrenalina e emoção à noite. E já Shakespeare dizia... “tudo está bem, quando acaba bem” .
António Brito Paes, está merecidamente num grande momento, e prova-o a cada actuação que faz, e o campo pequeno não foi excepção. Com uma quadra invejável, o “Mia” está enorme!
Manel Telles Bastos, fiel a si mesmo e ao seu estilo muito na linha familiar, esteve muito bem.
O toiro, assim como os demais, não eram fáceis e pediam tudo o que os cavaleiros tinham para dar, e o Manel não se intimidou e mostrou a sua arte.
Também Duarte Pinto no seu estilo clássico e inconfundível, esteve brilhante no toiro que quanto a mim, era o mais difícil do lote. Cravou bons ferros e soube entender o toiro logo desde o inicio. Boa lide também de Duarte Pinto, que teve o privilégio de poder brindar (como aliás os demais colegas) a sua lide a um dos grandes ícones da tauromaquia nacional que esteve presente no dia da sua alternativa, o Mestre Luís Miguel Da Veiga.
Quase a terminar a "converseta" dos cavaleiros, e porque só houve bem a dizer, tenho de destacar o menino toureiro António Núncio.
O peso de vir tourear à primeira praça do país já é demasiado grande, até para os mais antigos, quanto mais para a primeira vez de um menino, depois estar a vestir uma casaca pela primeira vez também pesa!
Não estou a tentar desculpar nada, até porque nada há para desculpar. Este menino esteve brilhante, e completamente à altura de todos os que compartiam cartel com ele nesta noite tão importante para tanta gente, mas especialmente para ele.
Este promissor cavaleiro, cravou ferros de verdade e sem se sentir intimidado com tanta coisa com que se poderia sentir! Futuro promissor para este grande menino.
Não posso também deixar de dar uma palavra de conforto, ao meu querido amigo Agostinho Borges, porque todos nós temos dias menos bons, e este não foi mesmo o dia dele. Como se pode não dar música a um toureiro destes?! Como se pode não dar força e animo a um menino que mesmo que não tivesse toureado tão bem, como toureou, está no inicio da sua carreira e tinha um peso tão grande nas suas costas???
Bom, dias melhores virão, quero acreditar meu amigo Agostinho!
Pelas ramagens, dois dos poucos grupos gigantes da nossa tauromaquia. Mas tal como referi atrás, todos temos dias menos bons... e o GFA Évora também não esteve no seu melhor dia. Não vou sequer referir a enxurrada de disparates que se viveram nesta noite, pois com a emoção à flor da pele, todos nós os fazemos. Foram à cara dos toiros Ribeiro Telles, António Alfacinha, que depois de um violento derrote e queda consequente, recolheu à enfermaria, sendo dobrado por Gonçalo Pires, João Madeira, que depois de não sei quantas tentativas, foi dobrado por Manuel Rovisco e boa pega ao segundo intento por João Pedro Oliveira, na segunda pega da noite.
O GFA de Montemor, esteve muito bem e parece querer voltar aos bons momentos que sempre nos proporcionaram. Grandes pegas por Francisco Borges e João Romão Tavares (enorme este menino), pegaram também, o cabo António Vacas de Carvalho e Manuel Dentinho. 
Parabéns ao Campo Pequeno pela noite que nos proporcionou. 

Maria João Mil-Homens

 
Copyright © 2013 PORTA DOS SUSTOS