quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CRÓNICA DA CORRIDA DE ELVAS . POR LARA VEIGA VICENTE

No passado sábado dia 17 de Setembro, o Coliseu de Elvas foi palco de emoções, de entrega e entusiasmo.
Com meia casa forte, marcaram presença na arte do toureio Rui Salvador, João Moura Jr e Marcos Bastinhas, no que respeita aos homens das ramagens a noite estava entregue ao grupo da terra os Académicos de Elvas com a despedida do cabo António Patrício.
Os toiros correspondiam à ganadaria António Charrua e Quinta Mata-o-Demo.
Abriu praça o cavaleiro Rui Salvador que lhe calhou em sorte um toiro que apresentava 616kg e o segundo de seu lote com 435kg, na primeira lide Rui Salvador teve um toiro cheio de sentido às tábuas, que só se fixou ao cavalo após o cravar do primeiro  comprido, Rui Salvador apresentou uma lide coesa, e onde a sua grande mestria foi evidente.
No segundo de seu lote sinto que Rui Salvador não se entendeu com o toiro e deu ao Coliseu uma lide sem qualquer entusiasmo. 
João Moura Jr lidou o segunda da noite com 552kg e o quinto com 506 kg, o primeiro toiro com bonita apresentação e de boa investida. João Moura Jr fez o que tão bem sabe, entrou em terrenos do toiro, passou pelas tábuas e levou o público ao entusiasmo nos ferros curtos.
Uma bonita e boa lide de João depois do terrível acidente que ao sua equipa sofreu.
A segunda lide muito semelhante à primeira onde João Moura Jr conseguiu chegar ao público e ter uma prestação muito positiva na sua passagem pelo Coliseu de Elvas.
Marcos Bastinhas foi o grande triunfador da noite, no seu lote tinha o primeiro toiro com 516 kg o terceiro da noite, um toiro muito e com a particularidade de levantar imenso as mãos e a cabeça.
Marcos começou com uma sorte de gaiola perfeita, excelentes ferros compridos e a dar a entrega total nos curtos.
Entrou em terrenos do toiro e sem dúvida foi ele quem mandou na lide.
No segundo que lhe calhou em sorte e o sexto da noite um toiro com 560kg, Marcos brilhou e encantou, a mostrar classe, entrega e vontade de triunfar e assim foi triunfou como ninguém, com dois ferros curtos de excelência e a levar a noite a um patamar muito superior e positivo.
É um gosto vê - lo e com lides assim nós aficionados só podemos ficar felizes e satisfeitos de ir à praça.
No que respeita a toiros confesso que não fiquei maravilhada gostaria de ver em praça algo mais composto em apresentação e bravura.
Agora no que toca aos homens das ramagens aos ombros, começo já por dizer que também eles foram triunfadores,  e que grande triunfo, primeiro por pegarem seis toiros na sua praça numa noite de tão grande emoção e simbolismo.
Acreditem hoje em dia não é como antigamente de facto um grupo hoje pegar seis toiros é um feito.
Abriu praça o cabo António Patrício que fazia assim a sua despedida, mandou o toiro para a cernelha o que não achei de facto a melhor escolha para um toiro que tinha duas características ou se fechava em tábuas ou se fixava nos médios.
Quando vi sair os cabrestos então tive a certeza que que a opção não teria sido certa, quando os cabrestos eram metade do toiro e o mesmo ficava sempre descoberto, sempre de sentido ao cernelheiro e ao rabejador, e um toiro que nunca encabrestou.
António Patrício e Joaquim Guerra ainda tentaram a cernelha  mas sem sucesso.
Alguns minutos depois os cabrestos foram recolhidos e António Patrício pegou de caras, com uma pega vistosa, de entrega e com uma reunião perfeita. Grande momento o teu António e todos os aplausos foram mais que merecidos.
António fez assim a sua despedida entregando a sua jaqueta e o comando o grupo a Luís Machado, o Coliseu agradeceu de pé a António Patrício por todos estes anos de entrega e dedicação.
As nossas praças vão sentir a tua falta e forcados como tu deveriam ser proibidos de se despedir.
Obrigada António e Deus te abençoe sempre. 
O segundo da noite calhou em sorte ao forcado João Pedro Restolho, que na primeira tentativa no momento da reunião não soube resolver com perfeição. Na segunda tentativa fomos brindados com um par de braços únicos e uma pega extraordinária, fazer menção também à extraordinária primeira ajuda do forcado Jorge Nazaré, foi um momento brilhante.
Joaquim Guerra foi o terceiro a saltar à arena de Elvas e atenção que este homem tem uma fibra e uma entrega estonteante em que consegue à primeira tentativa se agarrar e se fechar como lapa a um derrote fortíssimo,  mas que deixou claro que quem mandava era ele e ponto final, que bonita pega a um toiro a pedir contas.
Gonçalo Machado irmão do actual cabo Luís Machado pega  o quarto da noite à segunda tentativa, uma segunda tentativa com eficácia e será importante dizer que este forcado apesar da sua elevada altura sabe recuar ao toiro e se fechar com coesão e brio.
Ao quinto da noite vai o valoroso forcado Marco Raimundo, forcado esse que já deu mais que provas que é um dos grandes forcados do nosso país,  um forcado com técnica,  elegância e com uns braços que assim que se fecha dificilmente sai de lá.
Uma pega brilhante sem dúvida à primeira tentativa a um toiro com pata e derrote forte.
A fechar com a cereja no topo do bolo foi cara o actual cabo Luís Machado que brindou a todo o grupo, com uma pega sem grande dificuldade à primeira tentativa.
Uma noite em que o grupo saiu por cima e mostrou que está para triunfar, numa noite de muita emoção.
Terei que falar ainda de António Machado que infelizmente não estava fardado pela lesão sofrida no Campo Pequeno, António o teu amor ao grupo é evidente e imagino o que esse coração estava a sentir naquela noite.
Recupera rápido o grupo precisa de ti e desse amor.
Parabéns a todo o grupo, sem dúvida a noite foi vossa.
Nota positiva também a todos os bandarilheiros e ao director de corrida pelo bom desempenho.
Parabéns à empresa foi uma boa noite de aficion.
Saudações taurinas
Lara Veiga Vicente
 
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