segunda-feira, 17 de julho de 2017

CRÓNICA DO CAMPO PEQUENO - POR JOSÉ LUIS FIGUEIREDO


Na passada quinta feira, no Campo Pequeno, estavam reunidas as condições  para uma lotação esgotada no entanto tal não aconteceu... razões?...
uma, apenas uma... não há "papel", o resto são cantigas. Porém, aqueles e foram milhares, que conseguiram o "capital" necessário, para o ingresso não estarão certamente arrependidos, Pablo no último do seu lote e Mazanares no seu segundo, deram um recital de arte e magia toureira  que fez com que todos sentissem que valeu a pena.

PABLO HERMOSO
No primeiro, esteve aquém do aceitável, levou uma imensidade, de toques nas montadas o que num toureiro da sua dimensão, é inaceitável. No segundo, já deu um ar de sua graça, no entanto a gentileza de convidar o suplente Jacob Botelho para pôr uns ferrinhos  (de má qualidade) quebrou o ritmo a uma promotora lide, transformando-a em "mais uma".
No último toiro, aí sim, Pablo puxou dos galões e foi um desenrolar de arte e toureirismo, enfim uma actuação à Pablo. 

FORCADOS 
As pegas, estiveram a cargo dos Amadores de Montemor, foram solistas Francisco Barreto à segunda tentativa, João da Câmara forcado triunfador na temporada transacta que este ano teima em não acertar  o passo e Francisco Borges bem à primeira e que na volta de agradecimento, teve um gesto que dignifica a forcadagem, saltou à arena calçou os sapatos, dos quais foi desprovido durante a pega, compôs a imagem e aí sim iniciou a volta, não são pormenores caros amigos, são por...MAIORES, marcam a diferença.
Olé forcado.

MANZANARES
Ninguém duvida, das qualidades artísticas, de Manzanares é sem sombra de dúvida, um monstro sagrado da arte de montes, no entanto não seria correcto "olvidarmos" aquela primeira, faena? ...
demasiado mau, foi "desarmado" imensas vezes, incompreensível, tal como o foi no seu último,  onde após uma curta tenda de muletazos, num gesto de cavalheirismo?... ofertou tudo o que restava, do seu tempo de lide, ao jovem Cuqui, que agarrou bem a oportunidade, mas ... o público pagou para ver tourear Mazanares... e tudo isso, perante a sonolência da direcção da corrida, que quando acordou, já o "crime" tinha prescrito.

MOMENTO MÁGICO 
No seu segundo, José Mari abriu o livro e deliciou-nos com lindos trechos, salpicados de arte duendista, onde a profundidade do seu toureiro, leva-nos ao imaginário fazendo-nos sonhar. 
Sonho esse, que certamente será eterno, para o menino aficionado João Maria Faria, a quem o maestro de Alicante, fascinado pela sua aficion, ofertou os machos do seu traje de luzes, gesto  esse que irradiou de felicidade e emoção  este pequenito (enorme) aficionado. 

José Luís Figueiredo 
 
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