segunda-feira, 28 de maio de 2018

AZAMBUJA - CRÓNICA DE MARTA MENDÃO.


Por motivos profissionais, há  já dois anos, que não entrava na praça de toiros, da terra que me viu nascer e me fez  aficionada. Longe vai o tempo, em que a agora baptizada Dr. Ortigão Costa - criador de renome do toiro bravo e do cavalo Lusitano. Mas dizia eu: longe vai o tempo em que pelas mãos dos meus avós, chegava aquela praça em chapa, pintada de um vermelho garrido, que só mesmo a gente do povo sabe matizar. Subia as escadas em madeira, para me sentar nas bancadas, também em madeira, que as chuvas invernais e sol veraniego, davam mais força aos nós daquelas madeiras. Meus avós, gente simples e assalariada do campo, misturavam-me com tanta outra gente simples, do povo e "janotas", para assistirem á corrida de toiros da feira de Maio da Azambuja. Feira cujo inicio se perde nas recordações das gentes do Ribatejo, mas que a tradição e o carácter dos ribatejanos sabe - e bem - perpetuar. Está-nos no sangue, a lezíria, o toiro, o cavalo e o Tejo. Bom, mas voltando ás linhas e aos parágrafos da corrida realizada ontem na "minha Azambuja", fui brindada com um espectáculo que durou mais de 3 horas. É obra nos tempos que correm. No entanto Bastinhas, Ana Rita e Botero "lá conseguiram convencer-me a não arredar pé." Isto porque os toiros da ganadaria alentejana de Silva Herculano, saíram a dar trabalho aos ginetes; não pela bravura, mas pela mansidão que todos levavam dentro. Marcos Bastinhas entendeu perfeitamente o primeiro da tarde, escolhendo com acerto os terrenos onde colocar o toiro, tirando-o das tábuas, foi nos médios que cravou a ferragem, rematando as sortes com gosto. No quarto da tarde, um toiro que foi perdendo andamento e se colocava por diante das montadas no momento do ferro, Marcos Bastinhas soube entender e superar o desafio, não tendo eu estranhado que o júri tenha atribuído-lhe o prémio para a melhor lide - prémio que não teve qualquer contestação dos meus conterrâneos de bancada. Ana Rita, uma cavaleira cuja vida nas arenas não tem sido fácil, obrigando-a a "centrar" as suas temporadas na vizinha Espanha, chamou a si uma franja de publico que toda a tarde apoiou. A cavaleira do Cartaxo destacou-se na lide do seu primeiro, segundo da tarde, com um toureio fácil, movimentado, chegando ao publico, e aproveitando como pode o manso que lhe calhou no sorteio. O seu segundo não foi melhor e neste, Ana Rita precipitou-se, ao querer fazer muito em pouco tempo, caindo no erro do "mais um", o qual a muito custo conseguiu deixar. Jacobo Botero tal como os seus companheiros de cartel não teve um lote fácil. O rejoneador colombiano nem sempre ajustou as sortes àquilo que o toureio a cavalo diz, alargando viagens, cravando alguns ferros demasiado aliviados,  estando em plano meritório neste  seu primeiro. No que encerrou praça e que logo ao sair á arena pendeu para as tábuas, Jacobo Botero, nem sempre entendeu os terrenos do hastado, tentando pôr-se de largo, o que o toiro de forma alguma consentia. Com o decorrer da lide, as dificuldades do ginete em dar a volta á situação foram notórias, escutando no final da sua actuação as palmas da praxe. Quanto aos Grupos de Forcados? Duas formações com o Ribatejo na alma: os Amadores do Ribatejo e os Amadores da Azambuja para disputarem o prémio para a melhor. Claro que o meu coração pendia para as jaquetas vermelhas do grupo da terra. Alguns amigos no Grupo (e segredo - até um amor antigo) valeram também o preço do bilhete. Sobretudo quando anunciaram o nome do forcado a quem foi atribuído  o prémio para a melhor pega da tarde: Renato Pereira dos Amadores da Azambuja claro! Bom, mas deixando o bairrismo á parte, ambos os Grupos mostraram ganas de arrebatarem o troféu. Apesar de algumas dificuldades em consumarem as pegas, levaram de vencida todos os toiros. pelo grupo do Ribatejo pegaram André Martins, Samuel Martins e Nuno Amaro. Pela Azambuja pegaram Renato Pereira, Hugo Abreu que foi dobrado por David Mouchão e Telmo Galveia. Foi director  de corrida o senhor Lourenço Luzio. E com a boa disposição de sempre, o meu espírito lusitano, pediu "um pica-pau acompanhado de umas copitas", caldeadas com as ultimas "cuscisses" entre amigas, porque hoje é dia de voar para Londres.   
                                                                                                         Marta Mendão








 
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