sábado, 16 de março de 2019

ENTREVISTA A NUNO SANTANA


A escassos dias do festival de homenagem a Fernando Quintela, festival esse, organizado pelo grupo de forcados amadores de Alcochete, fomos ter uma "charla"com Nuno Santana, o cabo do grupo. 
Mais do que uma entrevista, acabou por ser uma tertúlia de amigos, onde se recordou amigos e bons momentos vividos.



PORTA DOS SUSTOS - Nuno, nasceste num seio familiar onde o teu pai, foi forcado, o teu tio foi forcado, o que te levou a envergar por este caminho?

NUNO SANTANA - Nasci dentro dos Amadores de Alcochete, a respirar os Amadores de Alcochete, desde sempre que me lembro que, aos fins de semana era treino ou corridas, nem me lembro com que idade peguei a primeira vaca, talvez com 7 ou 8 anos.
Depois lembro-me de pegar uma outra aos 10 anos e depois, a partir dai, comecei a treinar afincadamente, até que comecei a pegar toiros a sério, mesmo e já fardado, aos 14. 
Foi uma longa caminhada até à data de hoje, onde posso garantidamente afirmar, que os grandes impulsionadores de eu ter começado a pegar, foram, o meu tio Chalana, o meu primo Vasco Pinto e o Valter Marques, os meus dois primos que viviam tal como o meu tio, os Amadores de Alcochete, e são os meus exemplos e inspiração para ser forcado, ainda que o Valter não tenha seguido a carreira de forcado. À parte destes familiares e amigos de infância, tive também grandes influências, como o Rui Batista que era presença frequente da casa dos meus avós e acompanhava o Vasco, acabou por ser um exemplo e um enorme Forcado. 



P.D.S.- A pegar toiros, sentes certamente um enorme prazer, hoje tens uma missão muito mais espinhosa. Como sentes na pele o papel de continuador do trabalho de João Manuel Mimo, António Manuel Cardoso, João Pedro Bolota e Vasco Pinto, que foram enormes como forcados e como cabos?

N.S.- É para além de uma grande responsabilidade, um enorme prazer e um orgulho ainda maior, suceder a estes homens que fizeram uma longa e árdua história e caminhada.
Haverá uma história de outros grupos como esta, mas por isso é que acho que a humildade é característica fundamental do forcado dos amadores de Alcochete.
Formaram-nos para ser diferentes, não uso isto como um slogan, mas para vincar a forma como estamos fora e dentro da praça, vem muito em espelho/imagem dos antecessores cabos deste grupo.
Quando olho para trás, para o trabalho de todos os meus antecessores, tento retirar o melhor de cada um deles, metendo o meu cunho, e levar o grupo para a frente. 
Hoje a tauromaquia não vive os seus melhores dias, mas dias ainda mais difíceis viveu o nosso grupo, com a perda de dois elementos, acho que não haverá nada que seja mais duro para um grupo que a perda de um elemento fardado, nada se consegue assemelhar. Forcados no activo e perde-los, é mau, e nós infelizmente também sabemos, porque já perdemos também mais que um, mas morrer a pegar um toiro, e falecer com a nossa jaqueta vestida, é sem duvida das coisas mais marcantes da vida de um forcado. 



P.D.S. - E por falar em tragédias que acontecem nos grupos, remete-me ao festival que se irá realizar no próximo dia 30 deste mês, exactamente de homenagem a Fernando Quintela, o último forcado falecido exactamente com a jaqueta dos amadores de Alcochete, na praça de toiros da Moita em 2017.  

N.S. - Infelizmente só este ano conseguimos dar este festival, porque estava na nossa mente desde a sua partida.  Mas vamos este ano conseguir dar, e a melhor forma de homenagear o Fernando, é tentar esgotar a praça.
O Fernando foi um Homem que nos ensinou a ter fé. Quem não tinha fé, passou a ter e quem tinha, passou a ter mais. Era um miúdo, sem dúvida, à grupo de Alcochete, humilde, seguia o caminho dele e isso fez com que hoje em dia tenhamos mais fé, mas também faz com que encaremos as coisas de forma diferente, sempre dando sem esperar nada em troca.
Hoje em dia, cada vez mais, se vive num mundo onde se dá, sempre esperando receber alguma coisa em troca, e nós como homens e como forcados temos que dar, sempre, sem esperar receber nada, e isso é muito o cunho do Fernando. 
Este cartel só se dá derivado aos grandes amigos que temos no seio dos cavaleiros, em especial o Diego Ventura, que se prontificou, como máxima figura do toureio mundial a cavalo, a ajudar-nos para que consigamos fazer um monumento para o Fernando, como foi feito há 25 anos atrás ao Helder Antoño. 
É a homenagem que infelizmente vamos fazer, porque também queremos e dedicamos todo o nosso empenho em redor da mesma, mas a nossa maior homenagem é cada vez que vestimos a jaqueta e vamos pisar a arena, levar sempre o Fernando e o Helder connosco. 



P.D.S. - Apesar de todas estas tragédias que são do conhecimento público, o grupo de Alcochete, tem sempre muitos jovens a querer ser forcados deste grupo, qual o motivo?

N.S. - Penso que apesar dos riscos, as pessoas sabem que aqui se formam bons seres humanos e  homens como devem ser.  Preocupamos-nos principalmente em formar pessoas que mais tarde serão para além de bons forcados, boas pessoas, com valores e acima de tudo com humildade.
Na minha óptica, uma coisa não acontece sem a outra, tal como um homem que para ser um grande homem, tem a seu lado uma grande mulher, um bom forcado, tem que ser uma pessoa boa. 
Não consigo conceber que se seja um grande forcado e uma má pessoa, e aqui nós preferimos que se tornem bons forcados, o que os levará a ser boas pessoas, pelo esforço, dedicação o espírito de sacrifício, tudo o que aqui no nosso grupo incutimos, até porque aqui, há muitas alegrias, mas sabemos bem o sabor da tragédia. 



P.D.S. - O panorama taurino actual, joga com muita coisa que nem sempre os grupos que apostam na verdade conseguem enfrentar... como cabo do grupo, como resolves tu essas situações. 

N.S. -  É simples para nós, a nossa maior resposta é sempre dada dentro da praça.
O que acontece cada vez mais, é que nos deixam mais vezes fora de corridas importantes, e com toiros onde podemos mostrar o grupo que temos e isso a mim é que me deixa triste, é não respeitarem o valor do grupo, tanto do nosso como de outros e não contratarem porque existe algo por trás, outros interesses, e isso tira a seriedade, valor e o prestigio, e a nossa festa vai acabando por cair também por isso. 
Não há melhor forma que responder dentro da praça, e nisso estamos de consciência tranquila, e se não temos mais contratações, sem dúvida que existem jogos por trás das contratações e das selecções dos cartéis... infelizmente! 



P.D.S. - Sendo o Grupo dos Amadores de Alcochete, reconhecido por toda a aficion, como um dos melhores, nos primeiros lugares mesmo, do panorama tauromáquico nacional, encontras razão para o teu grupo não estar anunciado para a temporada da monumental do Campo Pequeno?  

N.S. - Razão não haverá de certeza, mas a Direcção do Campo Pequeno, há de saber melhor do que ninguém, a nossa não entrada nos cartéis do campo pequeno, coisa que nunca tinha acontecido desde a re-abertura do campo pequeno. Mas ainda esperamos ser contratados para a segunda parte do abono, porque se é a maior e melhor praça do país, se é a que tem mais prestigio, o nosso grupo também o é, e por isso só assim fará sentido. 



P.D.S. - Se voltasses atrás, voltavas a fazer o mesmo?

N.S. - Sim, voltava a fazer tudo, e se pudesse, embora creio que não conseguia, metia mais empenho, mais força, mais dedicação, mais amor. Apesar de tudo o que aqui referi, foram tudo coisas que eu tentei desde miúdo fazer. 
Porque apesar de não ser talvez correto, meti sempre o grupo de Alcochete à frente de tudo, exames da escola, da família, de tudo o que tinha na vida, até hoje, meto sempre tudo à frente, sempre em prol do Grupo dos Amadores de Alcochete, e não me arrependo, até se pudesse, tentava sempre meter mais. 




P.D.S. -  Ao longo da tua carreira, qual a corrida que mais te marcou?

N.S. - Infelizmente a corrida que perdemos o Fernando, será sempre uma corrida que me marcou para sempre, como forcado, como cabo e como homem, foi uma corrida inesquecível que me marcará  para o resto da vida. 
Mas a primeira corrida do concurso de Ganadarias em que me torno cabo, toiros como sabemos exigentes, na praça da minha terra, onde o empresário da praça na altura, me dizia: "... não sei se vais ter grupo para pegar, agora sem o Vasco... " e chegámos lá e pegamos os seis toiros à primeira, toiros com dificuldade, onde os ajudas deram uma lição de como pegar toiros, os forcados da cara, ao público, e assim tem vindo a ser, desde que sou cabo, o reconhecimento dos ajudas naquelas tardes, tem sido uma coisa muito bonita de se ver, que são colegas e são amigos de longa data, onde eu tenho, graças a Deus o privilégio de me fardar e pegar com eles desde sempre, embora o André Pinto Tavares, tenha saído este ano, foi um forcado que me acompanhou desde sempre, começamos a fardar os dois na mesma altura e além de forcados, são pessoas extraordinárias. 
Foram sem dúvida como forcados e como pessoas, os que mais me marcaram. 
Eu, o André, o Dédé (Daniel Silva), começamos todos ao mesmo tempo, onde já vinham o Vasco e o Rui Batista, levavam um avanço tremendo, e onde o João Rei depois os apanhou. 
Depois entrou Diogo Toorn, para os forcados, conseguimos todos continuar activamente no grupo, em tantos anos e todos cá continuamos e isso é uma coisa que tem sido fundamental para a história do nosso grupo e para chegarmos onde estamos. 



P.D.S. - Não estou enganado se disser que esses forcados, "monstros" dentro do grupo, são eles um exemplo no receber os mais novos, de os acarinhar e de lhes exigir a entrega total deles ao grupo...

N.S. -  Sem dúvida, de Forcados e de Homens.
Por exemplo, o João Rei é o forcado mais velho que nós temos, mas se for preciso é o primeiro a chegar, o primeiro a perguntar se é preciso ajuda, e isso demonstra que os miúdos quando chegam, têm que primeiro olhar para eles, não só como forcados, mas acima de tudo como pessoas. Porque, realmente, eles são o melhor exemplo do que é ser bom forcado como nunca vi melhores, mas igualmente como pessoas, também nunca vi melhores. 
E é isso que para mim faz o forcado do grupo de Alcochete, tal como à pouco perguntavas, o que é que é preciso ter para ser forcado deste grupo, é isto, é preciso ter o que estas pessoas têm, humildade, honestidade, seriedade, espírito de sacrifício, amizade, união, o resto vai-se ganhando, coragem , tecnica e preparação física.



P.D.S, - Nuno, quais são as expectativas para este festival de dia 30?

N.S. - As expectativas são altíssimas, esperemos que esgote, porque é fundamental para conseguir o 
objectivo que pretendemos, do monumento ao Fernando, e como grupo, vai ser um prazer enorme fardarmo-nos ao lado dos antigos elementos, que costumamos ser cerca de 100, e um grupo com aproximadamente 50 anos, conseguir reunir tantos bons Homens, é sem dúvida um sinal de união, companheirismo, amizade, é a prova de que os forcados nos marcam mesmo para a vida. Apesar de a vida ser uma passagem, esta é a passagem mais bonita que temos na vida. E no nosso grupo damos primazia a isso, não andamos aqui apenas por andar, nem somos forcados por um ou dois anos. 




P.D.S. - Qual foi o critério da selecção do cartel para o Festival? 

O Diego Ventura, foi o primeiro a disponibilizar-se para ajudar, e apesar da ideia inicial ser um cartel composto pelos três cavaleiros que compuseram o cartel da fatídica noite, e os outros três que inicialmente se disponibilizaram a ajudar-nos, que foram o Rui Fernandes, o Filipe Gonçalves e o Diego. Em relação aos outros três cavaleiros, o João Moura Jr. não tinha disponibilidade, e por isso, vem a Mara Pimenta que também tem uma ligação muito forte com o nosso grupo.



P.D.S.- Festival de homenagem a Fernando Quintela, em Alcochete, com toiros de verdade como é apanágio da praça?

N.S.- Sem dúvida, é outra parte muito importante do cartel, são os toiros, pois num festival, por norma, lidam-se novilhos, e aqui, não serão lidados novilhos, serão toiros sérios. Só podia ser desta forma, pois é a única forma de homenagear um forcado, principalmente o Fernando Quintela.  



P.D.S. - O  que na tua opinião, se pode fazer para melhorar a festa?

N.S.- Acho que apesar de a maioria das pessoas acharem que já temos muita ou alguma visibilidade, que ainda é pouca, acho que a visibilidade é bastante importante, porque o loby que existente tanto cá como em outros países, que a tauromaquia é sustentada e financiada pelo estado, é muito forte e regem-se de uma forma inteligente. 
E acho que nós também devíamos seguir esse caminho, de nos formarmos e dar visibilidade e categoria à tauromaquia e essencialmente verdade, porque sem verdade não vamos a lado nenhum, é este o passo que falta para repor esta verdade que já outrora tivemos. 


P.D.S - E a frase que se ouve tão frequentemente, de que os principais anti-taurinos estão dentro da festa, concordas?

N.S. - Não, não concordo, eles não estão dentro da festa, porque os aficionados não são anti-taurinos.  Penso é que falta muita verdade e seriedade a algumas pessoas que fazem parte da festa e isso é que descredibiliza a tauromaquia e faz com não sejamos tão fortes. Mas não se regem pelos interesses da tauromaquia e sim os seus interesses pessoais, por isso é que não andam aqui com verdade, mas não são anti-taurinos. 



P.D.S.- As contratações do Grupo, como estão para a temporada 2019? 

N.S. - Basicamente as contratações são mais ou menos nos mesmos sítios, fazemos anualmente uma média de 15 corridas por temporada, e penso que as vamos fazer, à excepção do Campo Pequeno, que não tenho para já qualquer informação até à data se seremos contratados ou não. 
Por isso iremos actuar em Alcochete mais do que uma vez, na Póvoa de Varzim, Tomar, Salvaterra, Montijo, entre outras.



P.D.S. - E voltam à Moita? 

N.S. - Esperemos que sim. É um dia marcante para o nosso grupo, para a aficion em geral e se houver corrida, os aficionados com certeza, vão exigir a nossa presença... infelizmente!



P.D.S. -  Como consegues encarar um colega teu, cabo de um outro grupo, sabendo que ele pagou para pegar numa corrida?

N.S. - Todos sabemos que grupos "pagantes" sempre existiram, agora talvez mais, mas é nisso também que falta verdade, seriedade. E se há coisas que não entendo, são mesmo essas, como é que se conseguem dar as melhores condições a um grupo que tem um seguro para pagar, tem que dar boa alimentação, boa estadia com boas instalações, boas condições, nós aqui pagamos o gasóleo, pagamos tudo, para que o forcado não tenha quaisquer tipo de despesas, como é que eu posso pagar, se tenho que pagar isto tudo?  Não sei como é que os grupos o fazem, mas estão na actividade errada, porque somos Amadores e por isso, a contratação deverá ser sempre pelo valor do grupo e atitudes como estas é que descredibilizam a festa. 



P.D.S. - O que pensas em relação aos cabos dos grupos que passam temporadas inteiras sem pisar a arena, excepto nas cortesias? 

N.S.- Existem vários cabos novos e com pouca experiencia e sei que ser cabo não é uma tarefa facil, mas no entanto existem várias formas de liderar, há quem lidere com o dom da palavra, outros lideram com o exemplo, outros com ambos, e se há cabos que não saltam à arena, é porque provavelmente lideram pela forma de estar, de falar,  de conseguir transmitir os seus ideais, os ideais do grupo.
Aqui no nosso grupo, o cabo sempre foi activo, tenta dar o exemplo, tanto pelas palavras, como pela forma activa como gere o grupo, isso para mim é fundamental e muito importante. 
Desde que sou cabo, sim, pego menos, é verdade, mas também temos muito menos corridas e os elementos dentro do mesmo tem que crescer.



P.D.S. - Deve ou não um cabo, dobrar um forcado que se lesionou? 

N.S.- Não, não concordo. Um cabo deve dobrar, quando o toiro tem as características que se adequam a ele, um toiro tem as suas características, e nem sempre são as melhores para um cabo. Não será uma regra, quem deve pegar, deve ser o forcado que está mais adaptado aquele tipo de toiro. 



P.D.S. - Deve um forcado dar a volta à arena sem estar devidamente fardado, calçado, com a cinta arranjada, e de cara limpa? Este brio, é obrigatório?

N.S. - É tão importante saber estar dentro como fora da arena, estar na teia sossegado, porque ali apenas temos que estar atentos ao comportamento do toiro, estar bem fardado é fundamental, e quando se vai dar a volta à arena que é a melhor parte (risos), não se vai todo desarrumado, a classe tem que ser intrínseca ao forcado.  Estas são algumas das coisas que marcam a diferença entre um grupo de forcados e um bando ou um pseudo-grupo!



P.D.S. - Qual a ganadaria que mais gostas de pegar e a que menos gostas.

N.S.- Para mim, enquanto forcado, gosto da ganadaria Murteira Grave, porque são por norma os toiros com as características melhores para mim. No entanto, gostava muito que um dia tivéssemos a hipótese de pegar Miuras.
Não tenho nenhuma ganadaria que não goste, tenho sim toiros que não me agradam , os ditos com pouca cara!  



P.D.S. - Uma história que tenha marcado.

N.S. - O meu tio Chalana é o homem que mais paixão tem pelo grupo, e em 2003, tinha eu 15/16 anos, nós pegámos aqui duas corridas pelas festas. 
E ao segundo ou terceiro toiro, sai um rio frio, com cerca de 585kg, e com os melhores forcados fardados, eu estava ali sossegado, e o João Pedro chega-se ao pé de mim, e escolhe-me a mim para pegar. Fiquei radiante. Mas quando peguei, à primeira tentativa, tinha uma perna no corno do toiro, ouviram-se dois assobios, e o João Pedro pergunta-me se sou capaz de ir lá outra vez, e eu respondi que sim. Peguei à terceira. 
Quando acabou a corrida, viemos todos para a sede, e o meu tio Chalana estava a fazer umas bifanas, eu cheguei, para tomar banho e comer... e o meu tio disse-me: ..." tu hoje não comes, os toiros é para se pegarem à primeira"... e eu fui para casa, sem comer! 
Passei um bocado, mas isto torna-nos mais homens e mais fortes. 



P.D.S.- O que move um forcado, que não recebe dinheiro, que se pode magoar, perder a vida até... 

N.S. - O AMOR ao grupo. É toda uma estrutura familiar, e amigos, mas acima de tudo é o Amor incondicional ao Grupo.

Entrevista por: José Luis Figueiredo e Maria João Mil-Homens


 
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