terça-feira, 23 de julho de 2019

CRÓNICA DA CORRIDA DE IDANHA-A-NOVA - POR GRAÇA SOUSA



  • Local: Idanha a nova
  • Data: 21 de Julho de 2019
  • Cavaleiros: João Moura, António Ribeiro Telles, Duarte Pinto, Miguel Moura, Luís Rouxinol jr e António Ribeiro Telles filho 
  • Forcados: Grupos de Forcados Amadores de Santarém e de Alter do Chão
  • Ganadaria: Vinhas

Uma tarde quente típica de um verão na zona da raia.
A praça de Idanha encontrava-se completamente cheia para receber
um curro exigente de touros da prestigiada ganadaria Vinhas.
O cartel era apetitoso na sua base tendo um mix de experiência
oferecida pelos maestros e a irreverência e juventude de quem
ainda procura o seu espaço entre os grandes na atualidade.
A abertura de praça coube ao Maestro João Moura que optou por
uma lide segura, tendo-se destacado por uma série de bons ferros
como mandam as regras do bom toureio.
Apesar da tendência do touro para fugir para sua zona de conforto
“as tábuas” conseguiu dar-lhe a volta saindo sob aplausos. 
António Ribeiro Telles apareceu em Idanha em com a sua enorme
classe que o caracteriza com uma lide de grande valor e mestria.
Deixou uma série de curtos ao nível que nos habituou, sendo o
quarto um ferro de risco extremamente elevado, mas o cavaleiro
saiu da cara do touro de forma exímia, só ao nível dos melhores.
Duarte Pinto optou nos momentos iniciais por correr o touro
que correspondeu de forma integral às expectativas da lide.
Nos primeiros ferros curtos abriu em excessivo o quarteio, mas
depois foi ganhando confiança com a lide em crescendo cravando
dois a três ferros de forma cingida.
Miguel Moura recebeu em sorte um touro que aparentava apresentar
um torcicolo.
O cavaleiro e bem decidiu desde cedo arriscar e cravar a ferragem
da ordem.
O astado foi exigente tendo o jovem cavaleiro de Monforte de suar
para o levar de vencido.
Luis Rouxinol Jr. deparou-se com o mais pesado da corrida.
O imponente Vinhas de quase 600kg teve uma saída à arena vibrante. O touro duro por duas vezes derrubou a porta dos curros. (quando o cavaleiro trocava de montada para os ferros curtos e após o final da atuação). Apesar da imponência do touro que teve pela frente o jovem cavaleiro demonstrou uma enorme maturidade. Finalizando a sua atuação com um violino e dois palmitos levando o público presente a retribuir com enorme aplauso.
Por fim lidou António Ribeiro Telles filho sobre olhar atento do seu
pai.
Um cavaleiro amador para ter em atenção.
Embora denotasse os habituais problemas dos cavaleiros amadores,
esteve à altura do desafio.
A vontade de triunfar e basear a sua lide na verdade do toureio
foi notória, mas sentiu várias dificuldades pois o toiro tinha muitas
reservas e era sério na investida.
Apesar de alguns toques aqui e ali cravou uma série de curtos com
mão certeira e com reuniões ajustadas.
Pelo Amadores de Santarém pegou a quarta tentativa Luís Seabra
sendo as restantes a primeira tentativa por parte de Joaquim Grave
(com a pega da tarde) e Francisco Paulo no terceiro e quinto touro
respetivamente.
Pelo grupo de forcados de Alter do Chão pegou Diogo Bilé dobrado
por Filipe Lucas, Filipe Ribeiro e por fim João Airoso dobrado por
Luís Eduardo.
Os touros da ganadaria Vinhas que pastam na herdade do Zambujal
trouxeram a Idanha uma sensação de constante emoção e perigo
contribuindo para o sucesso e qualidade do espetáculo. 


Graça Sousa
 
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