sexta-feira, 8 de maio de 2020

1800 artistas e profissionais taurinos escreveram uma carta aberta à Ministra da Cultura




1800 artistas e profissionais taurinos escreveram uma carta aberta à Exma. Sra. Ministra da Cultura Graça Fonseca *com o intuito de partilhar com a Ministra parte do ADN da Cultura Portuguesa (a atividade tauromáquica) e a solicitar uma reunião com sua excelência.

Estamos a viver tempos críticos e a cultura é mais precisa do que nunca em momentos difíceis como os que estamos a passar. 


É tempo de “pegar o touro pelos cornos”, ir à luta, e muito importante, não deixar de forma nenhuma que o cancelamento de atividades culturais sejam uma tragédia para
Portugal.


Carta dirigida à Ministra da Cultura Graça Fonseca




Lisboa, 23 de abril de 2020,

Exma. Sra. Ministra da Cultura Graça Fonseca,

Somos cerca de 1800 artistas e profissionais da Tauromaquia, representados nas associações abaixo assinadas, e decidimos vir por este meio endereçar-lhe uma carta pública com o intuito de partilhar consigo parte do ADN da cultura portuguesa.
Somos uma das áreas mais originais e autênticas da cultura portuguesa e uma das poucas áreas culturais que não têm programas de apoio. Incorporamos quase 100% de mão de obra nacional, exportamos cultura portuguesa, contribuindo para a divulgação da nossa cultura e para o equilíbrio da balança comercial. Fomentamos o turismo e temos de um impacto económico direto e indireto de muitos milhões de euros, criando emprego e riqueza, muitas vezes em regiões deprimidas do interior.
Estamos a viver tempos críticos e a cultura, tal como a Exma. Sra. Ministra da Cultura Graça Fonseca afirmou, terá um papel crucial quando o estado de emergência terminar. “A cultura tem o papel fundamental de devolver confiança às pessoas. Vamos querer sair, vamos querer festejar, estar na rua”, disse ao Observador.
Queremos promover a confiança, o festejo e a felicidade das pessoas porque é nestes momentos mais difíceis que a cultura é mais precisa do que nunca. Ela é “o alimento de primeira necessidade para a saúde mental” e não nos podemos esquecer disso.
O cancelamento de todas as atividades culturais do país sobretudo em territórios mais distantes dos centros urbanos é um desastre económico”, explicou vossa excelência, mais uma vez ao Observador, e nós - os artistas e profissionais da Tauromaquia - assinamos por baixo.
É tempo de “pegar o touro pelos cornos”, ir à luta, e muito importante, não deixar de forma nenhuma que o cancelamento de atividades culturais sejam uma tragédia para Portugal.
Representamos economia e emprego com uma implementação territorial diversa, entre norte e sul, urbano e interior. E aqui passamos a citá-la novamente: “Para alguns territórios, até mais do interior, a economia local tem um fortíssimo contributo de atividades culturais [por exemplo] de um festival, de uma bienal, de um conjunto de atividades que acontecem com bastante regularidade, já para não falar em tudo o que são eventos de natureza mais local”, declarou ao mesmo órgão de comunicação.


A nossa atividade é muito particular. Por exemplo é sazonal e, por esse motivo, é mais afetada pela paragem total dos espetáculos. As largas dezenas de espetáculos já perdidos e os que ainda não serão realizados, são impossíveis de recuperar. Este infortúnio retira-nos meios para obter receitas e suportar custos com um valor elevado, como a alimentação e manutenção de cavalos, a preparação técnica e artística, as equipas de tratadores, veterinários entre muitos outros. A preparação da produção dos espetáculos desta temporada já foi iniciada há largos meses e a sua não realização acarreta avultados prejuízos em investimentos perdidos e reduções drásticas de receitas.
Para vossa excelência estar a par, cada corrida de toiros precisa de cerca de 170 intervenientes diretos. É urgente que se tomem medidas de apoio nesta fase, que tenham em conta as particularidades deste setor que tutela, e é necessário preparar a fase de retoma dos espetáculos com medidas adaptadas, por exemplo corrigindo com urgência o IVA dos espetáculos tauromáquicos para 6%, que é agora uma medida incontornável de apoio social à cultura e aos artistas.

Toureiros, empresários, pessoal técnico, campinos, artesãos e alfaiates…e, sem esquecer os forcados amadores, todos são fundamentais para a existência da cultura taurina, tal como o para o efeito económico e riqueza que gera, alimentando famílias e regiões.
Temos várias propostas de medidas que queremos partilhar pessoalmente com vossa excelência e esperamos que aceite discuti-las como decorre da sua obrigação governativa de tutela deste setor.
Terminamos esta carta com um pedido importante. Solicitamos, uma vez mais, uma reunião com a Exma. Sra. Ministra da Cultura para ouvir os artistas e profissionais deste setor cultural e perceber o motivo pelo qual fazemos parte do ADN da cultura portuguesa.

Agradecendo desde já toda a atenção dispensada,

Cordialmente aguardamos a resposta de sua excelência,

Associação Nacional de Toureiros
Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos
Associação Nacional de Grupos de Forcados

 
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